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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

XXXIV Concurso Internacional Literário das Edições AG - "Liberdade".

 Poetisa: Núbia Cavalcanti dos Santos. 
Classificação: 4º Lugar.

Insônia

A noite chega
Calma e silenciosa
Enquanto a chuva cai lá fora
Trazendo com ela a brisa suave
De mais uma noite de inverno.

Na solidão do meu quarto vazio
Sob a luz opaca do abajur
Tento afastar as lembranças nítidas
Das noites de amor ardente
Que vivemos intensamente.

Mas, o perfume inebriante
Que exala do travesseiro macio
Faz-me lembrar teu corpo viril
E o aconchego dos teus braços fortes
Ainda sinto envolvendo meu corpo.

E assim, a noite arrasta-se
Com passos lentos, vagarosos
Enquanto o sono não chega
Para ameniza a saudade que sinto
Do meu amor, que foi embora.


   Boneca de trapo

Hoje, eu preciso dizer-te adeus
Embora esteja
Com o coração em pedaços
Eu preciso enterrar todo esse amor
Que por tanto tempo
Eu guardei em segredo
Como se fosse
Um grande tesouro.

Hoje, eu descobri
Que tanto amor foi em vão
E, em tuas mãos
Eu fui somente um brinquedo
Uma boneca de trapo
Que usaste, e depois
Quando não mais te servia
Jogaste fora.

Sei que irei sofrer imensamente
Porque um amor assim
Tão grande e tão sublime
É para a vida inteira
E, mesmo não sendo correspondido
É quase impossível conseguir esquecer.

Talvez algum dia
Quando olhares à tua volta
E te sentires sozinho
Quem sabe, lembraras de mim
E daquele imenso amor
Que não relutasse em jogar fora.

E então, será tarde demais
Pois o meu coração dilacerado
Não conseguiu suportar tanto desprezo
E tanto sofrimento e amargura
Fecharam-no para o amor
Com medo de sofrer novamente.

XXXIII Concurso Internacional Literário das Edições AG - " AMANHÃ, OUTRO DIA".

Poetisa: Núbia Cavalcanti dos Santos.
Classificação: 4º Lugar.

Amanhã, sem você

Amanhã, quando o dia raiar
E a chuva passar
Nada mais será como antes
A não ser a dor incessante que sentimos
Nesses corações errantes
Possuídos por esse amor incessante.

E, quando a noite chegar
Ornamentada pela luz incandescente
Do majestoso luar prateado
Dos meus olhos tristes
Uma lágrima brotará
Simbolizando a dor da saudade
Que ficou em seu lugar
Pungindo a minha alma dilacerada.

Em meus devaneios insanos
Eu sinto a sua presença
E me aconchego em seus braços fortes
Mas, ao voltar à realidade
Seu lugar está vazio e gélido
E eu sinto o frio da solidão
Envolver-me em seus braços
Tornando a noite mais sombria ainda.


Um novo recomeço

De repente, do amor ausente
Restou a saudade presente;
De um coração apaixonado
Restou um sonho inacabado.

De repente, tudo se perdeu
Mas a esperança, não morreu
Está apenas adormecida
Dentro de um coração, sem saída.

De repente, um novo amor há de chegar
Com o início da primavera, desabrochar
E, ao raiar da aurora, florescer.

De repente, um novo recomeço
Trazendo a magia e o encanto
De um passado alimentado pelo pranto.

XXXII Concurso Internacional Literário das Edições AG - Livro "NOTURNO" .

Poetisa: Núbia Cavalcanti dos Santos. 
Classificação: 6º Lugar.


Muito além de um sonho

Quando surge a noite
Silenciosa e calma
Com ela surge também a esperança
De que, ao abrir minha janela
Você vai estar lá
Do outro lado da telinha
A esperar-me, mais uma vez
Com um olhar sereno
E um sorriso de boas vindas.

Então, o meu coração dispara
E eu sinto o meu corpo estremecer
Invadido por uma estranha sensação
Que eu não sei como descrever
E, mesmo que eu tente
Não consigo disfarçar a emoção
Que toma conta do meu ser.

De repente, minha voz se cala
Fico muda, sem saber o que dizer
Com medo, talvez
De expor os meus sentimentos
Sentimentos esses, que não deveriam existir
Mas que estão além da minha razão.

Sinto-me sufocada
E penso em fugir
Mas, é como se algo me prendesse a você
E, por mais que eu queira
Não consigo libertar-me
Desse olhar profundo, que me atrai
Como se fosse um imã.

Mas, quando você vai embora
Uma imensa tristeza
Toma conta do meu ser
Porque eu sei que, amanhã
Ao abrir a minha janela
Você poderá não estar lá
A esperar-me, como eu gostaria.

Por quantas vezes
Não fiquei a esperar-te, em vão
Enquanto as horas passavam lentamente
Aumentando a minha agonia
Por imaginar que, talvez, nunca mais
Voltaria a encontra-te novamente.
Nesse meu mundinho de faz-de-conta.

Mas, quando o sono chega
Vencendo a minha espera em vão
Trás com ele, os sonhos, que eu sei
Jamais poderei realizar
Mas que, parecem tão reais
Porque nesses sonhos
Eu posso sentir o teu cheiro, te tocar
Sentir o calor do teu corpo junto ao meu
Teus beijos ardentes e envolventes
Consumando a nossa noite de amor.


Um velho diário

Vejo os anos passarem lentamente
Como se não tivesse pressa nenhuma
Ou tivesse medo de apagar as lembranças
Que ficaram guardadas no passado
Registradas  nas páginas amareladas
De um velho diário.

Quantos anos se passaram?
Será que você se lembra?
Talvez você nem saiba quão grande foi
O meu amor por você
E que esse amor não ficou no passado
Nas páginas amareladas
Do meu velho diário.

Tentei deixar você no passado
Junto com as lembranças do que vivemos
Mas, minhas tentativas foram em vão
Pois ainda é o seu nome que eu escrevo
Em todas as páginas do meu diário
Sempre que a saudade chega
Machucando o meu coração.